Festival Folclórico de Parintins

A região norte do país tem uma das maiores festas do Brasil: o Festival Folclórico de Parintins.  O evento acontece no último final de semana de junho, na Ilha de Tupinambarana, parte da cidade de Parintins, a 420 km de Manaus. Folclore e alegria, bois e competição, azul e vermelho, são termos que podem definir a celebração, parte do calendário oficial de eventos de Parintins desde 1965.

O grande  espetáculo acontece durante três dias no Centro Cultural de Parintins, conhecido como Bumbódromo. Trata-se de uma arena construída em 1988 com capacidade para 16 mil pessoas1. Nessa arena, dois grupos centenários de Boi-Bumbá, o Caprichoso (azul) e o Garantido (vermelho) encenam as lendas locais, com alegorias, cantos e dança. Cada Boi tem cerca de 3500 brincantes (pessoas que participam da encenação). As arquibancadas do estádio são claramente delimitadas : metade azul, metade vermelha, para receber a galera (nome que recebe a torcida) dos dois Bois. Antes da construção do Bumbódromo, a disputa acontecia no centro de Parintins.

Nos últimos anos, a festa do Boi-Bumbá evoluiu de uma tradição local para um evento midiático. Além disso, a indústria do turismo, agências governamentais e empresas de grande porte também passaram a abocanhar uma parte do sucesso da festa3. Prova disso é que diversos patrocinadores, grandes empresas nacionais e multinacionais, foram obrigadas a criar um logo azul para entrar no espírito do evento4.

Origem

O Festival Folclórico de Parintins nos moldes como acontece hoje foi criado em 1965, mas os Bois Garantido e Caprichoso existem desde 1913. Muitas versões falam sobre a origem dos Bois de Parintins. Estudiosos dizem, porém, que não há histórias documentadas sobre a fundação de cada Boi, e o que se sabe vêm principalmente da tradição oral. De qualquer maneira, uma coisa é certa : cada um defende ter sido o primeiro a surgir5.

Conta-se que o Boi Garantido teria sido criado em 1913 por Lindolfo Monteverde. O Boi Caprichoso teria sido criado logo em seguida pelo parintinense Furtado Belém e pelos irmãos cearenses Roque e Antônio Cid. No início, os Bois brincavam nos terreiros e saíam às ruas, o que acarretava inevitáveis brigas entre os dois. Algumas pessoas, as mais ricas, chegavam a pagar para que os Bois passassem diante de suas casas. Já o formato atual foi criado por um grupo de amigos ligado Juventude Alegre Católica (JAC), Xisto Pereira, Lucenor Barros e Raimundo Muniz, então presidente da JAC. Após uma reunião entre eles, surgiu a ideia de reunir esses dois grupos folclóricos. Naquela época, as brincadeiras estavam com baixa popularidade, sob pretexto de que os Bois eram para os pobres. A criação do Festival foi, então, um divisor de águas na história dos Bumbás, que aos poucos retomaram sua popularidade6.

A encenação

O Auto do Boi conta que um rico fazendeiro presenteia sua filha, a sinhazinha, com um boi precioso, adorado por todos. Pai Francisco é o peão da fazenda. Mãe Catirina, sua mulher, está grávida e manifesta ao marido um desejo muito forte: comer a língua do boi. Pai Francisco atende o pedido da mulher e mata o boi preferido do fazendeiro e da sinhazinha. Por causa de seu ato, o peão é ameaçado de morte. Na tentativa de ressuscitar o animal, o padre e o médico tentam ajudar Francisco, mas fracassam, deixando o feito ao pajé, que consegue reanimar o boi7.

Os dois Bois-Bumbás teatralizam o conto a partir desse núcleo narrativo e agregam à sua maneira lendas, figuras amazônicas e rituais locais. Esses itens, marcados pela mistura de elementos folclóricos e indígenas, são ponto forte da apresentação e concretizam-se em formas de alegorias e fantasias que podem chegar a 20 quilos. Ao final do espetáculo, cabe ao júri escolher a melhor encenação8. Os jurados avaliam o desempenho de cada Boi segundo 22 quesitos: apresentação dos tuxauas (chefes indígenas), apresentação dos rituais xamânicos, melhor toada, melhor alegoria, melhor coreografia, entre outros9.

As encenações acontecem no ritmo das toadas (músicas compostas para a ocasião), embaladas por cerca de 350 músicos10. Existe ainda o levantador da toada, responsável pela animação dos espectadores e dos brincantes.

Durante a festa, um torcedor jamais deve pronunciar o nome do Boi concorrente, chamado de « Boi contrário ». Além disso, são proibidos vaias, palmas, gritos ou qualquer outro tipo de manifestação quando o « contrário » se apresenta na arena. A manifestação de uma torcida durante a apresentação do contrário pode acarretar perda de pontos para seu próprio Boi11.

Festa de boi antes do Festival

Boa parte da população de Parintins deixa de ir ao Bumbódromo e prefere acompanhar o espetáculo pela TV, pois a competição com os visitantes é grande. Para a população local, existem os eventos pré-festival, que são o momento em que a população local participa e revive a tradição da festa de dançar o Boi-Bumbá. Esse momento é marcado pela presença dos Bois-Bumbás em seus currais ou nas ruas. Para os habitantes locais, é o momento de festejar e de ir para o curral de seu boi querido e cantar as toadas tradicionais e novas 12.

 Como chegar a Parintins

O modo de chegar ao município é por barco ou avião. Segundo o blog vambora, há voos regulares que saem de Manaus (AM) e Santarém (PA) com duração de mais ou menos 1 hora. Durante o Festival a quantidade de voos entre as cidades aumente, mas devido ao tamanho reduzidíssimo do aeroporto e dada a demanda de pessoas durante o festival, considere grandes atrasos (de 1h a até 3h) quando programar a viagem. As companhias aéreas que fazem o trajeto hoje em dia são a GOL e a Azul.

De barco o trajeto é mais uma aventura, podendo durar de 8 a até 24 horas dependendo do tipo de embarcação e trecho escolhido. Por exemplo: o trajeto de Manaus a Parintins, que desce o rio, é mais rápido; já a volta (contra a correnteza) é mais demorado. A grande vantagem da viagem de barco, além da experiência antropológica, é que eles funcionam também como hotéis, pois ficam ancorados na cidade durante o festival. A notícia ruim é que a maioria dos leitos são redes, mas dá também para tentar reservar uma cabine dentro do barco.

Festival  Folclórico de Parintins  2017

A Comercial 4 Estações  fornece material para essa grande festa. O proprietário Leandro Reis,no mês de março,  visitou  os ensaios do boi Caprichoso e ficou encantado com tanta  beleza. Esse ano a festa acontece nos dias 30 de junho, 01 e 02 de julho.

Referências

  1. Consultar http://www.portalamazonia.com.br/editoria/amazonia/novo-bumbodromo-de-parintins-tera-capacidade-para-165-mil-pessoas/
  2. Consultar http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/festival-parintins-674342.shtml
  3. CAVALCANTI, M. L. V. de C.: O Boi-Bumbá de Parintins, Amazonas: breve história e etnografia da festa. História, Ciências, Saúde Manguinhos, vol. VI (suplemento), 1019-1046, setembro 2000.
  4. Consultar http://festivaldeparintins.blogspot.fr/
  5. GOMES DA SILVA, Rosângela. A Festa do Boi-Bumbá e a Reprodução da Cultura Popular. In Fragmentos de Cultura. Goiânia, junho/2007. P. 235
  6. CAVALCANTI, M. L. V. de C.: O Boi-Bumbá de Parintins, Amazonas: breve história e etnografia da festa. História, Ciências, Saúde Manguinhos, vol. VI (suplemento), 1019-1046, setembro 2000.
  7. Consultar http://www.portalamazonia.com.br/secao/amazoniadeaz/interna.php?id=239
  8. SALES PATRÍCIO, Patrícia. Na ilha do boi de pano – uma reportagensaio para além da objetividade jornalística. Ato I,
  9. http://www.blogvambora.com.br/festival-de-parintins-passo-passo-viagem/